Taganga e meu primeiro contato com o Caribe

Taganga vista de cima do morro

Após minha estadia em Bogotá, pela primeira vez em terras estrangeiras, fui direto para Santa Marta, uma cidade com aproximadamente 400 mil habitantes que vive principalmente em função às suas atividades portuárias. Mas eu não fiquei hospedado dentro da cidade, fui para uma vila de pescadores chamada Taganga.

Taganga vista de cima do morro

Taganga vista de cima do morro

Meus planos iniciais era de ir para Santa Marta e ficar uns dias por lá e ir para o Parque Nacional Natural Tayrona, porém como muitas pessoas que eu havia conversado ainda em Bogotá me recomendaram essa pequena vila, então lá fui eu. Fiz minha reserva no Nirvana Hostel num quarto de 6 camas por 24.000 COP a diária. Consegui inclusive uma passagem aérea pela Avianca por um preço camarada, 89.000 COP, são aproximadamente 800 km de Bogotá e levou cerca de 1 hora de vôo, se eu fosse de busão, levaria mais ou menos 15 horas e o preço da passagem tava por 84.000 COP. Acho que eu “si dei bem”, ainda mais pq voar com a Avianca é sempre uma boa opção, eles tem um media center massa e sempre rola um lanche gostoso ou um rango se a distância for grande.

Media center da Avianca

Media center da Avianca

Pois bem, chegando em Santa Marta, ainda no taxi eu já tive uma surpresa: Caribe que nada, aquilo é uma cidade feia, suja, portuária e só. Logo pensei que eu tomei a decisão certa em não ficar por lá e sim em ir pra Taganga. Bom pode até ser que eu tenha tomado a melhor decisão, mas nem de longe Taganga é um lugar legal, pelo menos pra mim.

Não queria “meter o pau” na coitada, mas é inevitável. O vilarejo habitado por pescadores é um lugar extremamente pobre, feio e sujo, andando por suas ruas de terra a gente se sente numa favela de São Paulo. A praia não é das mais bonitas, afinal temos que dividir espaço com um monte de barcos de pesca.

Mas agora deixe-me explicar do porque esse lugar é assim: Como vocês já perceberam, eu gosto mais de conhecer as pessoas que habitam o lugar onde vou, a cultura e tudo mais, então em Taganga foi isso que fiz.  Trocando ideia com o povo muitos deles me explicaram a situação atual deles. Até alguns anos, aquele lugar era exclusivo de pescadores. Eles viviam suas vidas tranquilamente na paz de Jah, sobrevivendo da pesca e de seus poucos comércios. Eis que os turistas começam a se interessar pelo lugar que era semi-deserto e poderia curtir a praia sem serem incomodados. O governo de Santa Marta percebendo isso, fizeram campanhas de incentivo ao turismo para Taganga, rapidamente a vila foi invadida, principalmente aos finais de semana, pelos turistas. Com isso, muitas pessoas se corromperam nessa vila, muitos deixaram de viver da pesca para viver do turismo e quando eu digo se corromperam é pq eles realmente foram por um caminho aparentemente errado.

A praia principal de Taganga é lotada de farofeiros, vendedores ambulantes oferecendo de minuto em minuto alguma coisa e o pior de tudo, basta alguém com cara de turista para diversas pessoas oferecerem drogas para vender em todos os cantos, inclusive descaradamente na frente da polícia. De noite é ainda pior, a cada 10 metros aparece alguém sem nenhum pudor “Quieres marijuana? Quieres coca? Tengo todo! Good price my friend!”. Entendem agora pq eu digo que eles se corromperam?

Mas enfim, já me prolonguei muito…

Como eu disse, fiquei hospedado no hostel Nirvana, que nem parecia estar dentro daquele vilarejo tão feio. Acabou sendo meu refúgio.

Nirvana hostel, nem parece que é em Taganga

Nirvana hostel, nem parece que é em Taganga

Lado esquerdo, praia lotada em Taganga

Lado esquerdo, praia lotada em Taganga

Lado direito -e maioria-, área dos pescadores

Lado direito -e maioria-, área dos pescadores

Como eu não estava muito feliz ali, ainda não tinha visto o tal do “Caribe” e não tava afim de ter ido pra pqp ficar trancado num hostel, comecei a perguntar pro povo sobre o que tinha ao redor de bom pra fazer. Me indicaram a belíssima Playa Grande, aí sim eu pude ter um gostinho de leve do que o Caribe estava me reservando.

Playa Grande é uma praia há 10 minutos de barco de Taganga, também pode-se ir caminhando, mas teria que passar por uns morros nada confiáveis e é puro deserto e cactos. Ali sim é um lugar muito mais agradável com areia branca e água transparente verde-azulada.

Playa Grande, vizinha de Taganga

Playa Grande, vizinha de Taganga (Foto encontrada no Google)

Taganga no final não foi tudo de ruim, pois conheci muita gente legal, inclusive uns chilenos que depois encontrei novamente em Cartagena e ficamos dois dias andando por aí juntos. Também trombei com uns brasileiros quando eu estava em Playa Grande. Esse lugar serviu mais como uma “cidade base” para poder ir a outros pontos mais interessantes, como por exemplo o Parque Nacional Natural Tayrona, onde fiquei por 2 dias e será o assunto do próximo post.

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Daniel Vieira

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